Entrevista

3BA12972-996F-4038-9E96-9E94D74A5EFEA correção dos dentes por meio do uso do aparelho ortodôntico, hoje é uma realidade e o que antes era um luxo acessível a pessoas com maior poder aquisitivo, tornou-se mais acessível , não só pelos valores como também , pelos planos de saúde , uma vez que se tem consciência da sua importância , não apenas pelo aspecto estético, mas também e especialmente pela questão da saúde bucal. E a própria questão dos aparelhos ortodônticos ,
Por isto, o “ Vem com a vó “ busca a opinião de um reconhecido profissional da área, para tirar nossas dúvidas . Dr Marcos Fernando de Borba,

Dr. Marcos de Borba

– Graduado pela FO-UFRGS

-Mestre e especialista em Ortodontia pela São LepoldoMandic-Campinas

-Especializando em Harmonização Facial- Uningá

-Membro da Sociedade Gaúcha de Ortodontia- SOGAOR

-Membro da Associação Brasileira de Ortodotntia e Ortopedia Facial- ABOR

Perguntas:

1) Principais indicações do Aparelho Ortodôntico na Infância?

É na infância, durante a troca da dentição, que os problemas de mal-posicionamento dentário começam a aparecer, e é nesta idade, a melhor faze para iniciar o tratamento ortodôntico.

Um dos maiores problemas que aparecem na clínica nesta fase, é a falta de espaço para a erupção dos dentes permanentes, uma  vez que os permanentes, além de serem em maior número, geralmente, possuem maior tamanho que os dentinhos  “de leite”. Geralmente isso ocorre, porque o crescimento da arcada da criança não acompanha  a velocidade da troca da dentição ou mesmo porque o tamanho da arcada não é compatível com o tamanho dos novos dentes.

Outra causa muito comum de má-oclusão dentária na infância é a mordida aberta ou cruzada, ambas podendo ser causada por maus hábitos como a sucção de dedo ou uso prolongado de chupeta.

2) Qual a melhor idade de usar aparelho ortodôntico?

A melhor idade de começar o tratamento ortodôntico é durante a troca da dentição decídua (dentes de leite) pela permanente, ficando entre 7 e 11 anos, pois neste período além da criança ser mais colaborativa ela está na fase de crescimento mais acelerado o que contribui muito para o tratamento ortodôntico, pois os ossos estão mais plásticos, facilitando a movimentação dentária. Em casos de falta de espaço para os novos dentes, fica possível conseguir, pelo crescimento, conseguir expansão dos maxilares, minimizando assim o risco de extrações dentárias futuras.

3) Qual orientação alimentar para não prejudicar ousodo aparelho ortodôntico?

Como os acessórios ortodônticos são colados na superfície dos dentes, alguns cuidados devem ser tomados para evitar o descolamento ou a quebra desses assessórios. Evite:

      – comer alimentos crocantes ou duros como bala, rapadura, pipoca, amendoim,  nozes,          gelo, azeitona com caroço, etc.

– alimentos grudentos ou pegajosos como bala de goma, caramelo, puxa-puxa ou goma de mascar;

– frutas ou verduras como maçã, cenoura, sem antes cortá-las.

-alimentos doces devem ser evitados a fim de não provocar cárie sob o aparelho.

        4)  Sabe-se que a higiene oral é fundamental neste processo. O que pode nos orientar neste aspecto?    

Um tratamento ortodôntico para ser bem sucedido, não depende somente do profissional. A colaboração do paciente em manter uma boa higiene durante todo o tratamento é fundamental. Num tratamento ortodôntico, que geralmente dura em média 24 meses, se não houver uma boa higiene oral do paciente, haverá um grande acúmulo de placa bacteriana, possibilitando o aparecimento de lesões de cárie e inflamação gengival. Um paciente que faz tratamento ortodôntico não pode deixar de utilizar uma boa escova ortodôntica, que vai possibilitar a higiene adequada da superfície dentária e dos acessórios do aparelho. A utilização da interdental também é fundamental, uma vez que ela será responsável por higienizar onde a escova ortodôntica não alcança, em baixo do fio, ao lado dos bráquetes.

Não podemos deixar de citar o anti-séptico com flúor, que irá fazer a higiene das superfícies que não foram devidamente higienizadas pelo outros acessórios, além de limpar os tecidos moles, como a língua e bochecha.

4) Qual o papel dos avós neste processo?

Nos tempos atuais os avós têm tido uma participação maior na criação dos netos, e este convívio é salutar e essencial para ambos. Muitas vezes os netos passam os finais-de-semana, ou até dias, com os avós. Porém,em alguns casos, para transformar este momento em algo agradável, os avós acabam sendo mais ¨flexíveis¨ com os deveres dos netos, o que não é positivo uma vez que para o bom desenvolvimento da criança, a rotina dela deve ser mantida. Os hábitos como tarefa escolares, higiene e alimentação não devem ser alterados, e nisso também se enquadra os cuidados com o aparelho ortodôntico. Em muitos casos, o tratamento ortodôntico depende da colaboração diária do paciente, principalmente quando é aparelho móvel. Tempos de uso devem ser respeitados, e até, a própria higiene do aparelhoprecisa ser monitorada por um adulto. Portanto, a supervisão dos avós é tão fundamental quanto a dos pais para alcançarmos o sucesso no tratamento Ortodôntico.

 

Dra Circe Petersen

Circe

E a Entrevistada de hoje é a Dra. Circe Petersen.

Dra Circe possui graduação em Psicologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, mestrado em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Advanced Training in REBT and CBT at Albert Ellis Institute, NY/CATREC Buenos Aires. Pós- doutorado em Psicologia (UFRGS)  É  sócia e diretora do Projecto Estudos Avançados em Educação e Saúde- Clínica Psicológica Privada, tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicoterapia, atuando principalmente nos seguintes temas: Terapia Cognitivo-Comportamental; Estresse, saúde e resiliência; transtornos de ansiedade. Membro da Rede Global do Programa Coping Cat para tratamento dos Transtornos de ansiedade na infância.

Na busca de trazer a colaboração de profissionais que atuam na área da infância, juventude e família,  trago para Dra Circe questões que percebo fazer parte das preocupações do nosso universo de avós que de uma forma ou outra participam do processo de formação e qualidade de vida de nossos netos.

Certamente Dra Circe nos traz sua colaboração para que possamos nos enriquecer cada vez mais e assim contribuir, da melhor forma possível com as novas famílias que se constituem a partir de nós, sem ultrapassar os limites de território e o bom senso comum.

Assim, fizemos o convite: Dra Circe, Vem com a vó?  :

  1. Como percebes a participação das avós em um processo de terapia de uma criança ou adolescente?

Vejo com bons olhos, pois trás a sabedoria de quem já cruzou o ciclo da vida e pode contribuir enormemente para a reflexão dos pais sobre parentalidade. Além disso, em algumas famílias contemporâneas, que são pontos importantes de apoio social. Nesta etapa de vida as pessoas costumam ter mais disponibilidade de tempo para acompanhar em algumas atividades importantes do desenvolvimento das crianças e adolescentes iniciais.

 

  1. Qual a melhor forma de uma avó contribuir com este processo?

 

Não existe formula pronta. Cada família tem sua cultura e hábitos transgeracionais, que gosta de cultivar a ao mesmo tempo terão a sabedoria de se atualizar tomando a perspectiva dos netos e filhos para seguir aprendendo sobre como é ser crianças e pais no século XXI.

As avós são chamadas carinhosamente de “ mães de açúcar” e certamente está é uma expressão que fala muito da doçura da relação avós e netos. No entanto, surgem algumas dúvidas e debates comuns nos encontros das vovós.

Acho que esta ternura que a passagem do tempo trás, pode ser muito relevante para as novas gerações. A empatia que a doçura trás também com os próprios filhos, acatando as praticas educativas dos pais e ao mesmo tempo apoiando os netos. Esta tomada de perspectiva é muito importante, pois define as fronteiras entre a família extensa e atual família nuclear nos filhos e netos.

 

  1. Quando os netos vêm para a casa das avós como deve ser o manejo com relação a regras e limites?

As normas e limites podem ser acordados com os pais, para haver sintonia.

3.1. Na casa do vovô e da vovó “tudo pode” para não perturbar a doçura destes momentos?

Sabemos que as avós não permitiram aos seus filhos o “tudo pode” e isso foi importante para eles aprenderem sobre empatia e limites.

3.2 . A vovó deve seguir a linha determinada pelos pais e regras estabelecidas?

Seria um bom caminho para mostrar harmonia e respeito entre as gerações.

3.3. Aquelas avós mais enérgicas, na casa da vovó tem suas regras e suas leis e pronto?

A energia com ternura é bem vinda. Desde que as regras sejam colocadas com assertividade e nunca de forma agressiva. As regras das casas existem e não causa danos aos humanos aprender a observar estas, desde que elas tenham coerência e adequação social.

3.4. Ou  o meio termo, ser firme e enérgica ,  mas também ser “ uma doce e equilibrada transgressora” , cedendo algumas questões , flexibilizando de modo a não entrar em conflito com o neto e nem com os pais ?

A Flexibilidade  é sempre bem vinda. Aprender com os avós a mediar e resolver conflitos pode muito legal. O espaço para a brincadeira e interação nunca será demais na vida de crianças.

 Como educadora uma das questões que tive como foco de trabalho na década de 90 no Colégio João XXIII, foi como família e escola poderiam trabalhar de forma preventiva o uso das novas tecnologias na virada do século, mal sabia eu o que me esperava 20 após.

Hoje uma das questões que mais  me aflige não mudou muito.

 Como avó e  nas conversas com outras vovós constato que este é um sentimento comum a todas:  manejo, limites e conseqüências do com  “ uso e  abuso” dos celulares, games e similares.

  1. Dra Circe, o que poderias nos dizer para contribuir com estas preocupadas avós destes novos tempos?

Creio que as novas tecnologias fazem parte da vida dos nascidos digitais. Por outro lado vejo elas ocupando um espaço vazio na vida das crianças. O problema que observamos na clinica contemporâneo é a solidão na infância, não ter com quem brincar e baixa disposição dos adultos de acolherem nas casas os amigos dos próprios filhos. Se eles sentem tédio e solidão buscam “regulação emocional” através dos dispositivos móveis.  Sabemos que a mídia tem impacto na vida mental e hoje vemos crianças e adolescentes com comportamentos compulsivos relacionados e jogos eletrônicos e redes sociais. Então a velha formula de monitoramento das atividades, tempo de telas devem ser observadas. O bom senso é bem vindo nesta hora.

  1. Como nós avós podemos administrar nossas ansiedades com relação a este fato?

A ansiedade e medo as vezes podem ser úteis para que os avós advirtam seus filhos sobre o monitoramento dos netos. Lembrem a eles quanto tempo eles dedicavam de suas vidas a amigos e brincadeiras. O medo nos adverte quanto a perigos e as vezes é útil ouvir essas emoções.

  1. Como podemos contribuir de modo a não nos tornarmos “chatas” ou invasivas, batendo na mesma tecla?

Atribuindo aos pais o papel principal da educação dos netos. Avaliar com empatia, tomando a perspectiva dos pais das fronteiras  entre as gerações.

  1. E quando os netos estão conosco, o que fazer?

Curtir este momento mágico da infância com eles. Já educaram a geração anterior e agora eles podem conduzir com estas aprendizagens construídas.

  1. E quando estamos em família , ou seja, com os pais presentes:

8.1. Devemos nos comportar como meras espectadoras?

Use suas emoções como guia. A empatia tem duas dimensões uma é cognitiva e nos permite tomar e perspectiva do outro, a outra é emocional e ai basta ouvir nosso coração. Sempre será de bom tom não desautorizar os pais.

8.2. Devemos dar um toque sutil que achamos que está havendo um exagero do uso do celular / game?

Pode ser uma tarefa mais fácil quando cultivamos bons vínculos durante o ciclo da família. A compaixão é quando olhamos a dificuldade e ao mesmo tempo tomamos uma atitude de ajuda ao outro.  Assim dar um toque aos filhos, quando aos riscos comportamentais do neto pode ser uma boa ajuda.

8.3. Devemos ser mais objetivas e claras nos riscos e conseqüências que tememos com o uso em excesso destas tecnologias?

Se os pais se omitem de suas responsabilidades porque não? Infelizmente as vezes existe negligencia e/ou baixo monitoramento das crianças. Na pressa do dia a dia alguns adultos se envolvem muito com suas próprias coisas e podem deixar crianças sem a devida proteção.

8.5.  Conversarmos sobre o assunto individualmente com o filho,/ filha?

Pode ser um bom caminho.

8.6.  Desviar o pensamento, desligar e “seja lá o que Deus quiser?  enfim ? Qual a melhor atitude ?

 

Seguir  o luxo da própria existência sempre é bom, mas se alguma criança de fato corre risco é dever de todos os adultos ser fator de proteção.

  1. Quando os netos resistem ao convite a outro programa que não inclui o uso das tecnologias ou para lugares que não tem Wi-Fi, o que fazer?

 

As crianças podem aprender com as diferentes gerações que não é o centro do universo. Existem necessidades de varias pessoas em jogo no convívio. Cabe a todos aprenderem a dançar a dança da família.

 

9.1. Atender o que o netinho quer?

Atender e ser atendido assim se ensina reciprocidade. Existe vida sem WI-FI. Se há extremos que dificultem manejos a família deve buscar um especialista. Um psicólogo pode ajudar a verificar se a crianças apresenta vicio tecnológico.

9.2. Impormos-nos como a autoridade presente e obriga – los a realizar o programa proposto?

Ensinar a negociar pode ser um bom caminho. O desenvolvimento normal costuma trazer isso com tranqüilidade. Se a família encontra muitos entraves, observe freqüência, duração e intensidade. Se um ou mais destes parâmetros parece discrepantes talvez seja hora de avaliar melhor com um profissional.

Para finalizar :

  1. Hoje em pleno vigor de nossa senioridade , mas debutantes nestes novos tempos de mudanças de paradigmas e de status do papel de avós , somos avós em um período de transição. Vivenciamos as três etapas de mudança cultural : o 1º tempo em que nossas avós residiam com nossos pais e eram autoridades estabelecidas , depois , em nossas casas , nossas mães, avós de nossos filhos : simplesmente chegavam trazendo toda suas experiências e contribuindo diretamente com suas opiniões .

Hoje, os avós trabalham tem menos tempo de interação e troca com  os netos e limites de atuação no novo núcleo familiar bem  estabelecidos . Por isto te pergunto a melhor forma de administrarmos este turbilhão de sentimentos que nos trazem tantas alegrias e muitas vezes, tanta ansiedade?

Como percebes a participação das avós nestes processos e como podemos contribuir, sem atrapalhar. Alguma questão ou conselho a mais.

Acho que a maturidade e o coração dos avós ainda é um bom guia.  Seguir curiosos e abertos a novas aprendizagens, sempre pode ser uma alternativa para adaptação as transições e mudanças da vida.

Dra Circe, além de  uma brilhante profissional, é uma amiga querida, do tempo em que trabalhávamos no SOE,  no Colégio João XXIII.

Obrigada  Dra Circe  e um beijo grande. O Vem com a vó agradece! .

 

De Balduino Tschidelimage_563002034641706

A esclarecedora entrevista com Dr. Balduino Tschiedel, Diretor- Presidente do Instituto da Criança com Diabetes e da Federação Internacional de Diabetes da Região das América Central.

Desde o nascimento de meu primeiro neto Gabriel ao procurar algumas dicas na internet, percebi que este era um terreno sem dono ou pelo menos, eu não encontrei nada que respondesse minhas dúvidas de avó.

Os anos passaram e este desejo ficou adormecido dentro de mim. Depois veio meu segundo neto João Paulo, as dificuldades com a asma e nosso clima, as separações dos filhos e a cada nova situação, embora buscando ajuda terapêutica, nas minhas reflexões e pensando “ como contribuir com minha experienciando vida, sem ultrapassar os limites de meu espaço” , em minhas noites insones, tornava a buscar os referidas dúvidas em um lugar que falasse para nós “avós , debutantes de um novo tempo”  e então,  a ideia  voltava. No dia seguinte, com as costumeiras correrias e certa que isto teria que acontecer de forma “ primorosa” em todos os sentidos, acabava deixando a ideia para lá . Até que este ano, a graça do mais novo neto Pétros e grandes alegrias, com o susto e a possibilidade de lidar com diabetes na família, deixei de lado a ideia do perfeccionismo e resolvi : é agora ! Com erros e acertos eu vou … Assim me lancei neste imenso mar da comunicação digital, com algumas dificuldades no manuseio desta ferramenta, a humildade de quem quer aprender e a paixão em  contribuir com um espaço de ajuda, de trocas de preocupações e com alguns momentos e lições , que os netos nos trazem. Assim aqui está o blog “ Vem com a vó” .

Minha primeira entrevista foi com o profissional onde tudo começa, ao nascer dos netos: o pediatra.O escolhido foi Dr Dilton Araújo, além de pediatra é avô de cinco netos. Dr. Dilton nos falou sobre mamadas, escolinha , papel da vó.

Depois Dra Bárbara Hocsman . Que trabalha com as gestantes e parturientes e como mãe , lida direto com as avós de seus filhos , nos dando assim o outro lado deste olhar.

Neste mês de novembro, quando se comemora  no dia 14 à data máxima do Novembro Diabetes Azul, Dia Mundial do Diabetes, tenho a satisfação de trazer o médico endocrinologista, Prof. Dr. Balduino Tschiedel , Diretor Presidente do Instituto da Criança com Diabetes do RS.

 

Ao chegar no ICD  fui recebida carinhosamente por Ana Bertuol / comunicação e Maria Tereza Lima / gerente do ICDRS e Dr Balduino. Como a entrevista foi longa e esclarecedora , penso trazer aqui, por etapas, inclusive com Video:

 

1-  Evane: A gente, como família, sempre se preocupa com a saúde da criança e procuramos estar atentos aos sinais de doenças que tememos muito, como a leucemia e o câncer, mas não temos uma cultura de prevenção com o DIABETES. Fale-nos um pouco sobre isto, por favor.

Dr. Balduíno: Acontece que o câncer é uma doença mais dramática, que lembra muito morte. Mas na verdade essa história está sendo reescrita hoje com as novas tecnologias porque nem todo câncer mata hoje. Alguns são crônicos e podem levar o resto da vida, mas alguns, infelizmente ainda matam e por isso, ainda carregam a morte no seu bojo. 

O diabetes é uma doença mais complexa por que lidar com ela no dia a dia é muito complexo, porque tudo envolve comida. E o diabetes tipo um, este sim é autoimune, que destrói o pâncreas, que não produz insulina.

O individuo tem que tentar imitar o pâncreas, que é um órgão extremamente inteligente e o que a gente tenta e imitá-lo de um modo que é, infelizmente, longe do ideal. Porque o pâncreas produz a insulina que vai diretamente para o fígado e nós aplicamos a insulina nos braços, nas coxas, no suco cutâneo e a insulina faz o caminho inverso do normal e não o caminho fisiológico, que é do pâncreas para a periferia, e o caminho que gente faz , é da periferia para o pâncreas por que é impossível aplicarmos insulina diretamente no pâncreas. Por isso o que tentamos é a forma que temos. Mas convenhamos tudo gira em torno das refeições. A comida tem que ser metabolizada por causa da insulina e como vamos imitar o que o pâncreas faria de uma forma tão perfeita? Infelizmente os mecanismos que temos hoje, que são essas insulinas, ainda não imitam o trabalho do pâncreas de forma perfeita. Por isso as oscilações de glicose nas crianças com diabete tipo um são Muito grandes e isso assunta, porque uma criança ou adolescente pode ter oscilações muito grandes e assustadoras. Então, o diabetes é uma doença cujo dia a dia é muito mais complexo de lidar que qualquer outra doença.  Se os pais trabalham uma dieta junto da criança é mais fácil, mas continua difícil porque a vida não é trancada dentro de casa, vai à casa da vó, do amigo e tudo isso tem que ser levado em consideração.

gora, existem vários tipos de diabetes, existe o tipo dois que é o diabetes mais encontrado no mundo é que ocorre em geral com pessoas com mais de 40 anos. Ao contrário do diabete tipo um, que em geral ocorre na criança.

2- Evane: Dr. Balduino o tipo um é o mais grave?

 Dr. Balduino, o Diabetes tipo 1 é mais difícil de lidar, porque destrói o pâncreas de uma pessoa saudável. O tipo 2 que atinge geralmente pessoas com mais idade está ligado à má alimentação e à obesidade. Por isso, hoje temos casos de diabetes tipo 2 em crianças obesas. Temos aqui no instituto aproximadamente 100 adolescentes com diabetes tipo 2, o que antigamente era muito raro.

3- Evane: Isso tem muito a ver com a família, os pais, mães e as próprias avós envolvidas na alimentação da criança?

Dr. Balduíno: Sim, e esses alimentos muito gordurosos, salgadinhos, refrigerantes, que hoje em dia se consome muito mais do que antigamente. A alimentação se tornou muito mais calórica. E também os brinquedos que antes eram tudo na rua, hoje com a violência urbana a criança tem que ficar dentro de casa e acaba brincando com vídeo game e celular. Isso tudo ajuda a obesidade. Então esse é o diabetes tipo 2, que é ligado ao estilo de vida. Diferentemente do tipo 1, onde o individuo não tem culpa de ter.

4- Evane: Então o DIABETES tipo 1, independe dos hábitos alimentares / familiares?

Dr. Balduino: Isso. Não tem nada que esteja linkado ao diabete tipo 1 a não ser o conjunto de genes que a criança obteve, nem mesmo o histórico familiar.

5- Evane: Eu lhe pergunto doutor, uma dica para os pais: eles devem fazer o exame preventivo para diabetes nos filhos, independente de qualquer sintoma?

Dr. Balduino: Não há necessidade, até por que não existe vacina contra diabetes. O melhor é manter o olhar atento aos sinais. Uma criança que não fazia xixi na cama que voltou e começa a se repetir, coisas assim. Isso aconteceu com meu filho, que estava entrando no pré, com 4 anos e nós achamos que ele estava apenas ansioso com as mudanças. Mas foi se repetindo e estranhamos, aí levei ele ao hospital e diagnosticamos com tipo 1 clássico. Na hora já aplicamos insulina nele e eu com vontade de chorar, olhei para ele sorrindo e disse agora temos que fazer isso 3 vezes ao dia. O problema é que os pais ao conseguem esconder a angústia dos filhos e eles ficam mais ansiosos ainda. Temos que enfrentar isso com alegria e tranqüilidade, claro que é um momento muito difícil, eu mesmo aplicava a insulina nele e ia pro banheiro chorar. Mas aplicava sorrindo e ele nunca notou minha angústia nisso. Hoje ele já tem 27 anos.

6- Evane: Com relação à diabetes gestacional, existe risco de passar para o bebê ou é uma questão circunstancial?

Dr. Balduino: Não, é apenas circunstancial. O diabetes gestacional pode ocorrer em mulheres que tem na família diabetes tipo 2. Ele nada mais é que o aumento dos hormônios que são contrários a ação da insulina, produzidos pela placenta. E esse aumento é maior a medida que essa placenta vai aumentado. E se você tem aumento de peso excessivo, numa mulher com historia de tipo 2, a placenta produzindo esses hormônios, a placenta cada vez maior ( por isso que isso ocorre normalmente a partir da 24 semana de gestação). Esses hormônios vão fazendo a ação contraria da insulina e aumenta a glicose. A glicose aumentando vai pro feto, que aumenta sua produção de insulina. Então o feto fica robusto. Em geral a mulher que teve isso vai ter diabetes tipo 2 no futuro. O risco é de a criança nascer e no momento que sair do útero, e perder o alimento da mãe, entrar em hipoglicemia por estar com a insulina muito alta.

7- Evane: Na escola, como a família deve administrar o diabetes?

Dr. Balduino: Acho que quando é uma professora única é mais fácil conversar. Mas quando a criança já é maior é mais fácil conversar com o  coordenador da escola e levar o material com informações. Nós temos um material, uma olha, com tudo que precisa saber e como agir. Cabe aos pais levar à escola essa orientação. Mas é muito importante os professores terem essas informações por que por exemplo, o diabético tipo 1 vai muito ao banheiro e o professor pode entender que é malandragem quando na verdade é apenas sua necessidade.

8- Evane: E  as expectativas futuras? Como o senhor vê essa questão das células-tronco? Há alguma previsão para o futuro?

Dr. Balduino: Acho que temos duas questões: uma a biotecnologia, que é a biologia com tecnologia aplicada, as células tronco. E a tecno biologia que é a parte técnica com variáveis biológicos, a bomba de insulina, devices e aparelhos tecnológicos. Por questões éticas, é muito mais fácil trabalhar com tecno biologia, ou seja com o aparelho, do que com células tronco. Por isso, a tecno biologia avança mais rapidamente. Então a células-tronco que érea uma promessa, ainda avança lentamente. Hoje em dia as pesquisas são muito caras, e as maiores descobertas são feitas pelos grandes laboratórios corporativos, por que não há universidade que tenha dinheiro para investir nessas pesquisas.

9- Evane: E será que existe interesse econômico em investir nesses tipos de pesquisa?

Dr. Balduino: Existe sim, só que as doenças auto-imunes como um todo são muito complexas. Mas ao mesmo tempo quando se descobrir a cura de uma provavelmente se descobrirá de todas. E em relação ao tipo 2 vai ser muito mais difícil por que está relacionado ao envelhecimento tecidual, então apenas quando descobrirem a  cura disso.

 

 

Colaboração da  Terapeuta e professora Doula Bárbara Hocsman.

Bárbara

A nova geração de mães pede uma nova geração de avós

Bastante coisa mudou nos últimos anos, mudanças que, muitas vezes, causam tensão na relação entre avós/avôs e o novo núcleo familiar. As escolhas feitas no passado, geradas pelo recurso que muitas vezes era limitado, criaram nas avós uma dificuldade em entender as escolhas das mães dos novos tempos, em especial no que diz respeito à maternidade. A nova geração de mães anseia por entendimento de suas escolhas, mesmo que à primeira vista possa nos causar certa estranheza.

Por isso considerei importante também ouvir  o depoimento de uma mãe, razão pela qual convidei a Terapeuta Ayurvédica, professora de Yoga e Doula Bárbara Hocsman, que nos brinda com uma linda carta dirigida à nós,   avós. Além de profissional,  Dra Bárbara Hocsman é mãe da Sara e do Rodrigo, e ministra cursos na área de educação para a gestação, parto e pós-parto.Vale lembrar que o Ayurveda é uma ciência médica originária da Índia, e ela nasce com uma civilização muito antiga, mas propondo práticas e conceitos extremamente atuais. Os textos médicos escritos a há mais de cinco mil anos, podem ser aplicados  nos dias de hoje. Se quiser saber mais, acesse:https://www.facebook.com/ayurvedamamaebebe

Carta às avós:

Querida vovó,

A diversidade de estudos e pesquisas tecnológicas facilitou o trabalho das mães, é claro. Fraldas que duram até doze horas, uma gama enorme de chupetas e mamadeiras que imitam o bico o seio, medicamentos, isso sem falar na indústria alimentícia, sempre empenhada em desenvolver fórmulas que substituem o leite materno. Estes avanços foram, sim, importantes, mas quando a mamãe se nega a recorrer a eles e ficar “sofrendo”, é nesta hora que grande parte das discussões se inicia. Vovó, vamos falar um pouco sobre isso?

Quando uma mamãe anuncia que prefere usar fraldas de pano ou fraldas ecológicas no seu bebê, o que ela vai ouvir?“Filha para que passar tanto trabalho? Vai ficar limpando fralda suja no tanque? Ok, vovó, a gente entende que na sua época não tinham outras opções, mas a preocupação com o mundo que vou deixar para o meu filho é muito importante. Você sabia que a primeira fralda descartável até hoje não se decompôs?Isso sem falar que a fralda ecológica cria uma relação muito mais saudável na criança com suas eliminações, tomando consciência, e isso auxilia no desfralde?

Outra mãe comenta em um almoço de domingo: “Quero ter um parto natural, sem intervenções, e quero meu bebê no meu colo assim que ele nascer!”.A tia cai da cadeira, o pai tem um mini-infarto e a avó diz: “Pra que sentir dor minha filha? Se a anestesia existe, é para ser usada. Se fizer uma cesariana, em dez minutos seu filho nasce!Ok vovó, cada um tem sua experiência de parto, mas eu prefiro esperar a hora que meu bebê escolher para nascer e entendo que a dor faz parte deste processo, além disso, esta experiência pode ser transformadora na minha vida. O parto natural, se possível, é a melhor escolha para mim e para o meu bebê.

A última puxadinha de orelha… a “balda”, quem nunca ouviu?“Menina, põe essa criança no berço, tanto colo assim vai deixar ela mal acostumada”. Vó, você já ouviu falar em “exterogestação” ou a “gestação do colo”? Imagina um bebezinho que passou nove meses dentro do útero, sendo carregado, embalado, em um espaço apertado, de uma hora para outra é preciso ser “acostumado” a dormir sozinho, ficar sozinho no berço…

O choro é o único recurso que a criança tem para comunicar algum desconforto e sabia que existem vários tipos de choros? A língua do bebê é uma forma de conseguir entender se o choro é de fome, é de dor, pois ela apresenta uma ligação direta com a sensação do bebê: o som de cada choro! Com o tempo,toda mamãe já consegue definir, mas, para isso, é necessário observar, ter calma e ouvir. A chupeta cala o choro e inibe esta interação.

Então vó, vamos juntas buscar entender as motivações das suas filhas antes de proceder qualquer julgamento? Tudo bem em não concordar, mas existem formas de colocar estes questionamentos. Eu diria que o amor deve ser o grande denominador comum nesta fração entre o pensamento de antigamente, e os conceitos atuais. Falar de forma amorosa, respeitosa, aberta a ouvir e, por que não, a mudar! Seja a mãe, seja a filha, mas tendo a certeza de que tudo isso é, em essência, a preocupação em oferecer o seu melhor!

Atualmente existem profissionais especializados em oferecer este suporte nas mais diversas etapas da criação dos filhos. Desde o nascimento, com o auxilio das Doulas, consultoras de amamentação, “encantadoras de bebês”, psicólogas especialistas em puerpério, além de livros, canais do Youtube, Instagram.  Vou deixar algumas dicas de especialistas aqui para vocês:

  1. Laura Gutman: https://www.instagram.com/lauragutman_ok/
  2. Mariana Zanotto: https://www.instagram.com/mariana.zanotto
  3. Filme O Começo da Vida: http://ocomecodavida.com.br/filme-completo
  4. Instituto Araripe (Alexandre Amaral): https://aripe.com.br
  5. Ayurveda Mamãe e Bebê

Obrigada Dra Bárbara Hocsman pela preciosa colaboração.

Dr Dilton Araujo : 

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Dr. Prof. Dilton Araújo

Dr. Dilton Araujo é Médico Pediatra e Professor Titular  do Departamento de Pediatria na Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre

Hoje, nosso primeiro  bate- papo, vamos iniciar por onde tudo começa, que é o nascimento de nossos netos, por isto convidei Dr. Dilton  que além de médico pediatra é avô de cinco netos.

Dr. Dilton, os tempos mudaram , hoje os pais compartilham mais ativamente dos afazeres do universo familiar. As mães também tem suas agendas com muitas  atividades, as empregadas não moram mais nas residências e as  avós, também vivem um novo momento. Embora participantes deste período de encantamento e em plena lua de mel com o novo integrante , as avós já não fazem parte direta deste novo  núcleo familiar, muitas vezes se limitando a serem somente visitas, seja por conscientização desta nova etapa  cultural, seja por questões  de trabalho ou  mesmo por limites estabelecidos pela nova família . Foi refletindo sobre este assunto, que me dei conta  que neste clima mágico e de grande alegria, nós  somos debutantes como avós.

Certamente é neste momento que muitos sentimento começam a se estabelecer de uma forma positiva, onde o carinho e a cumplicidade de reforçam ou no afã de contribuirmos com os pais, nos atrapalharmos em termos de limites, de espaços, o que pode causar  desconforto para o casal, causando conflitos e até prejudicando o bom relacionamento familiar.

Por esta razão vou iniciar com pergunta sobre a amamentação. Muitas vezes é um dos primeiros com muitas dúvidas entre as famílias. Certamente amamentar um filho é a maior benção que uma mãe sonha realizar. Começar acontece ao natural, com as dificuldades normais do processo, mas depois surgem dúvidas com relação ao desmame.

  1. Pergunta: Qual o período mínimo em que o alimento materno deve ser exclusivo e qual  idade em que pode ser iniciado o trabalho com o desmame?

Resposta:  Com relação ao desmame, o Ministério da Saúde  preconiza  até 6 meses         como alimento exclusivo.  Depois de 1 ano de idade o leite materno entra como           complemento, passando a ser o desmame  uma decisão materna.

  1. Pergunta: Com relação a alimentação dos netos,  devemos trazer “ nossa  contribuição”  ou nos limitarmos  sermos observadoras silenciosas?

Resposta:  A partir de 10 meses  pode seguir a dieta livre da casa . As vovós tem vivência pelo passado, mas cuidado para não interferir na alimentação dos netos e assim evitar desentendimentos com a nora ou filha.

      3. Pergunta: E o Ingresso na escolinha, qual a melhor idade ? Qual papel dos avós neste processo  ?

Resposta:  Com relação ao ingresso  na escola,  também cada vez mais os pais precisam trabalhar para ajudar na renda familiar, não deve existir sentimento de culpa, mas  cuidado com a escolha da escolinha com relação às proposta e  qualidade de atendimento.

Os avós sempre devem estar presentes na família, sendo importante aconselhar, mas respeitando o importante papel dos pais.

Muito obrigada estimado Dr Dilton, pela carinhosa forma que nos traz sua valiosa contribuição.